Nota de apoio aos estudantes e trabalhadoras(es) em luta contra o sucateamento dos serviços públicos no estado de Goiás

Nota de apoio aos estudantes e trabalhadoras(es) em luta contra o sucateamento dos serviços públicos no estado de Goiás

 

O Grupo de Pesquisa Trabalho e Capital – GPTC-USP – manifesta seu completo apoio às(aos) estudantes e trabalhadoras(es) em luta contra o sucateamento dos serviços públicos no estado de Goiás.

De fato, não é tempo de vacilação. A hora é de resistir e lutar contra os verdadeiros responsáveis pela desestruturação destes serviços: os vendilhões e mercadores do patrimônio público, os privatizadores de sempre que, na falta de vocação para a gestão pública republicana e democrática participativa, fraudam processos públicos, apelam, escondem-se sob a força de suas polícias militares as quais, mediante  o uso e o abuso da força e da autoridade que pensam possuir, violam então os mais básicos direitos, violentam pessoas e buscam aterrorizar o agir político de resistência.

A detenção de 31 ativistas pelas forças policiais a mando do governo tucano de Goiás no último dia 15 de fevereiro é mais um triste episódio que se coloca no marco de naturalização de práticas repressoras e criminosas pelo Estado, dentre as quais os ataques contra as(os) professoras(es) na greve docente de 2015 no Paraná e a repressão às manifestações contra o aumento da tarifa do transporte em São Paulo, no início de 2016, são outros exemplos recentes.

Nessa mesma linha também atuam os governos petistas, o que pode ser constatado na repressão às manifestações de junho de 2013 e contra a Copa em 2013 e 2014, o apoio dado à lei antiterrorismo, que criminaliza movimentos sociais, e o incentivo, ainda que velado, ao projeto que amplia a terceirização. O que se passa em Goiás tem por base exatamente uma lei declarada constitucional pelo STF, sem qualquer objeção pública do PT, um dos autores da ADIn, devendo ser considerando, ainda, o silêncio eloquente do governo federal frente aos fatos denunciados nesta nota.

Todos esses fatos se conectam de forma indissociável.

Se de um lado o arrocho salarial e o favorecimento dos empresários do transporte, em detrimento da qualidade e eficiência do serviço, revelam que são as(os) trabalhadoras(es) que uma vez mais pagam pela crise e a falência dos cofres públicos, a luta contra a terceirização da educação pública para entidades privadas escancara que o esfacelamento de tais serviços – conquistados a duras penas por gerações de trabalhadoras(es) em luta – é a estratégia prioritária das classes dominantes para manter sua condição de privilégio. E frente a isso nos portamos terminantemente contra!

Outrossim, também nos portamos expressamente contra o fato de estudantes e trabalhadores, no legítimo exercício de direitos humanos e fundamentais incontestáveis, serem presos e criminalizados, em irresponsável e arbitrária atuação da autoridade pública. Além da violência das prisões arbitrárias, os ativistas ainda poderão sofrer as consequências de eventuais ações penais, com restrições a seus direitos civis e políticos, tormento que tem caracterizado a repressão e a criminalização dos movimentos sociais.

São Paulo, 24 de fevereiro de 2016.

 

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